9/10/2008 - 19h30
DiscussÃo sobre “Fome, Ética e assistÊncia” encerra SeminÁrio Mesa Brasil SESC
“A fome é o maior dos desrespeitos humanos” com essa frase o Diretor do Departamento Regional do SESC São Paulo, Danilo Santos de Miranda iniciou o último debate do Seminário Mesa Brasil SESC que contou também com a presença de Frei Beto. Os dois conferencistas levantaram questões acerca do tema “Fome, ética e políticas assistenciais”.
Danilo ressaltou, durante sua fala, o caráter educativo do programa Mesa Brasil SESC pela importância que aplica ao triângulo: fome, ética e assistência. Para Danilo, uma ação cidadã pressupõe a garantia da dignidade humana e esta não é alcançada sem que o indivíduo tenha acesso não só ao alimento, mas também à educação e à cultura, elementos que dignificam o cidadão.
“A ética de combate a fome não se resume apenas em dar alimento a quem tem fome. Por isso, o Mesa Brasil SESC caracteriza-se por ser um programa que além de alimentar garante a cidadania humana através de suas ações educativas. O ser humano tem fome de dignidade também”, destacou.
Ele concluiu dizendo que os parceiros do projeto doam sentimentos de solidariedade e que são esses sentimentos que levaram o SESC a criar a rede de parceiros e doadores do Mesa Brasil. “Nosso projeto é um projeto de cidadania inclusivo. Não fazemos mero assistencialismo paternalista com a doação pura e simples. Queremos qualificar o ser humano com educação, saúde cultura e lazer. Esse é nosso maior desafio”.
Frei Beto iniciou seu discurso arrancando risos da platéia ao revelar que se considera um ING – indivíduo não governamental. “Sempre trabalhei com os pobres. Durante muitos anos fiz trabalhos com os jovens do ABC Paulista e desse meu convívio com eles foi que surgiram meus vínculos com a CUT e o PT”, contou.
Em consonância com o discurso de Danilo, Frei Beto afirmou que não basta permitir às famílias o acesso ao alimento. “Assegurar a alimentação não é suficiente. A ação educativa faz-se imprescindível. O indivíduo só sai da miséria quando adquire uma nova visão de mundo, quando adquire cultura”, ressalta.
“A única maneira de reverter esse processo é fazer o que SESC faz. São iniciativas sociais como o programa Mesa Brasil SESC que dão dignidade e cidadania a população brasileira”, concluiu Frei Beto encerrando o Seminário.
9/10/2008 - 19h30
Três grandes especialistas em políticas sociais participaram nesta tarde do debate do Seminário Nacional Mesa Brasil SESC sobre “A dimensão social da segurança alimentar”. Wanda Engel, do Instituto Unibanco, Paul Singer, Secretário Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego, e Ricardo Henriques, do BNDES, analisaram a eficácia dos programas de proteção social desenvolvidos no país como forma de minimizar as conseqüências da pobreza.
“Enfrentar a pobreza requer políticas integradas, que começam com políticas de proteção social. Essas políticas costumam ser classificadas de assistencialistas, mas são elas que podem assegurar as condições mínimas para o processo de desenvolvimento. O problema do assistencialismo é ficar nele mesmo. Na verdade, ele é o primeiro passo de um processo de promoção social”, disse Wanda Engel.
A palestrante destacou aos presentes a necessidade de monitoramente e avaliação de qualquer programa voltado para a redução da pobreza. “É preciso mostrar que gasto social não é gasto, mas investimento. Programas como o Mesa Brasil, que saem da simples distribuição de alimentos e vão incorporando outros componentes, vão ter um impacto muito importante. Mas tem que avaliar, tem que medir”, disse.
Paul Singer levantou a questão da necessidade de uma mudança nos métodos de cultivo para se tratar o problema da crise alimentar. “Durante muito tempo acreditei que a fome no mundo não era decorrente da dificuldade de oferta. Havia alimento, mas não havia dinheiro da parte de todos para adquiri-lo. Hoje se sabe que a situação mudou e já estava previsto que ia mudar. Os alimentos estão escassos, o preço aumentou, o número de pessoas em situação de fome no mundo aumentou em 100 milhões. Isso tem relação com o uso predatório da água, terra e ar. Essa agricultura insustentável não tem futuro, ou a humanidade não terá se insistir nela”, disse.
O terceiro palestrante da mesa, Ricardo Henriques, falou sobre a necessidade de os programas de proteção social se encaminharem para políticas integradas e citou o Mesa Brasil SESC. “O programa Mesa Brasil SESC já funciona e de forma muito meritória. A questão é: qual o futuro do mesa Brasil? Como essa rede de solidariedade que se formou pode estimular outras redes pessoais, que se organizem em redes emancipatórias? Esse é o desafio que se coloca ao Mesa Brasil SESC”, disse.
9/10/2008 - 14h10
Palestras abordam a importÂncia do aproveitamento integral dos alimentos
Biodiesel, oferta de alimentos e desperdício foram os temas das demais palestras da parte da manhã do Seminário Nacional Mesa Brasil SESC. O Embaixador Jorio Dauster falou sobre “O papel do biodiesel no desenvolvimento brasileiro”, e explicou que o combustível, além de ser uma das principais alternativas como fonte de energia, não precisa concorrer com a produção de alimentos, mesmo sendo fabricado a partir de oleaginosas.
O biodiesel é um combustível que pode ser produzido a partir de qualquer óleo vegetal, como a soja, o girassol e a palma. O palestrante defendeu, porém, as pesquisas de elaboração do biodiesel a partir de sementes impróprias à alimentação, como a mamona e o pinhão manso. “Colocar uma oleaginosa neste tipo de produção não constitui uma forma de competição de preço, se forem utilizadas as cadeias de mamona e pinhão manso. O governo ainda não deu um seguimento efetivo à pesquisa sobre essas oleaginosas com visão de biocombustível”, explicou Jorio Dauster, acrescentando que os agricultores do Nordeste seriam extremamente beneficiados com o incentivo a produção de mamona para fabricação do combustível.
A professora Marta Castilho, da UFF, falou em seguida sobre “A oferta de alimentos e o comércio internacional”. A palestrante baseou sua apresentação nas dificuldades que os países encontram hoje em relação à oferta de alimentos e a posição do Brasil neste contexto. Apesar da crise alimentar enfrentada, Marta defendeu a tese de que o Brasil não tem problemas de escassez de alimentos, mas sim problemas de transmissão de preços e acesso aos alimentos para parte da população.
O último palestrante da parte da manhã foi o pesquisador do IBGE Mauricio Vasconcellos. Em sua apresentação, ele demonstrou que não há atualmente métodos ou índices que possam mensurar o desperdício de alimentos, o que prejudica qualquer tipo de aferição nutricional. “Trata-se de algo que não temos como medir com eficácia por falta de dados”, declarou.
Mauricio falou sobre as diversas perdas estimadas, que se concentram apenas na parte da colheita, em relação a adversidades climáticas e problemas econômicos, e na fase posterior, em relação à armazenagem e transporte. Já as perdas ocorridas após estas fases – na comercialização, nos serviços de alimentação, no processo industrial, nos estoques domiciliares e na preparação e consumo de alimentos – não são mensuradas, o que se constitui em um impedimento para a elaboração de uma política eficaz de abastecimento.
9/10/2008 - 12h10
Aumento da produÇÃo agrícola É destaque no segundo dia do SeminÁrio
A expansão da oferta de alimentos e a melhoria na distribuição foi o tema de abertura dos trabalhos no segundo dia do Seminário Nacional Mesa Brasil SESC – Segurança Alimentar e Nutricional: Desafios e Estratégias. O Vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, Luis Carlos Guedes Pinto, e o pesquisador da área de política agrícola da Embrapa, Eliseu Alves, falaram sobre a produtividade agrícola brasileira e os efeitos da crise alimentar.
Os dois palestrantes apontaram o crescente aumento da produtividade agrícola brasileira nas últimas décadas como fator que estaria auxiliando na contenção dos preços dos alimentos, mesmo com a crise que se instala mundialmente. “Quem sofre mais com a subida de preços dos alimentos é a população pobre. Baixar o preço dos alimentos é promover uma transferência de renda. E isso se deve a grande produtividade agrícola brasileira, que vem trazendo uma oferta de preços decrescente”, disse Eliseu Alves.
Ele assinala como causas da crise alimentar mundial o aumento da demanda de alimentos, motivada entre outros fatores pelo crescimento de renda em países de grande população, como a China e a Índia. “O aumento de renda em um país rico não chega a interferir na demanda, porque já existe um equilíbrio. Mas esse aumento em um país pobre traz um efeito dramático na demanda”, explicou Eliseu, acrescentando, no entanto, que tal efeito não é dominante na questão. Segundo ele, o incremento do preço do petróleo tem efeito direto na redução do crescimento da oferta, por afetar diversos outros setores ligados à produção agrícola, como o preço de fertilizantes e os custos de infra-estrutura e transporte.
Luis Carlos Guedes Pinto destacou alguns números referentes à produtividade agrícola no país. “A eficácia da agricultura brasileira nos últimos 16 anos, em relação à produção de grãos, aumentou 182%. Não há fato similar no mundo. A produção de leite também cresceu muito nos últimos cinco anos. O Brasil, que era um importador do produto, hoje atua como exportador”, ressaltou.
O palestrante também falou sobre a necessidade de investimentos na agricultura familiar, pela sua característica de produção de alimentos diretamente ligados à cesta básica e ao dia-a-dia da população. “De 2003 até hoje o Banco do Brasil triplicou o valor de crédito para a agricultura familiar. Hoje temos 1,3 milhão de contratos com agricultores deste setor. A expectativa este ano é de financiamento de R$ 7,8 bilhões, duplicando o valor oferecido na safra 2002-2003”, disse Luis Carlos, que também falou sobre um novo programa que está sendo elaborado pelo Banco do Brasil junto com o Ministério de Desenvolvimento Agrário. “O Pronaf Sistêmico é uma proposta que implica em retomarmos e aprofundarmos o trabalho de assistência técnica para a agricultura familiar. Precisamos criar mecanismos para levar aos produtores de menor escala mais qualificação técnica, fazendo com que eles melhorem sua produtividade e obtenham um maior retorno”, concluiu.
8/10/2008 - 18h50
A crise mundial de alimentaÇÃo
A insegurança alimentar no contexto brasileiro foi o tema que orientou as palestras da parte da tarde do Seminário Nacional Mesa Brasil SESC – Segurança Alimentar e Nutricional. Os conferencistas Renato Maluf, do Consea, e Ricardo Abramovay, da USP, apresentaram números da crise da alimentação mundial, como os apontados pela FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, que registram 923 milhões de famílias com dificuldade de acesso à alimentação em todo o mundo.
“Estamos próximos a uma crise sistêmica no comércio mundial. Existe hoje o crescimento da demanda mundial por alimentos, associada à elevação acelerada dos preços. O objetivo do milênio de acabar com a fome e a miséria não só não está sendo cumprido, como também se agravou”, disse Renato Maluf.
Ricardo Abramovay citou como algumas das causas de uma nova crise alimentar, a elevação e a volatilidade dos preços, o declínio nos estoques e as restrições às exportações. Ele também destacou que a agricultura tende a se transformar de predatória a regenerativa e, no futuro, o Brasil pode desempenhar um papel de destaque no cenário mundial, demonstrando que o respeito ao ecossistema não só é possível como também é uma importante estratégia a ser adotada por outros países.
Na parte da tarde, foram apresentados diversos programas que atuam no desenvolvimento de políticas de segurança alimentar. Em sua palestra sobre o fortalecimento da segurança alimentar nas políticas sociais, Crispim Moreira, do Ministério do Desenvolvimento Social, falou sobre a importância da criação de uma ação pública que intervenha no sistema alimentar, abastecendo uma rede protetora social. Ele citou o programa Mesa Brasil SESC como um ator importante na luta contra a fome, ao lado de programas desenvolvidos pelo MDS, como os restaurantes populares e os bancos de alimentos. “Nosso objetivo é dar outro ordenamento para a circulação do alimento, possibilitando modificar a dieta alimentar de famílias que estão excluídas”, disse.
Em seguida, Silvio Porto, da Conab, apresentou aos presentes o Programa de Aquisição de Alimentos- PAA, primeiro programa estruturante no contexto do Fome Zero, que faz a articulação entre a produção e o consumo, sendo um elo entre a agricultura familiar e as famílias que necessitam de assistência alimentar. “O PAA proporciona acesso a alimentação diversificada para uma população em insegurança alimentar. Valoriza a produção e cultura de alimentos das populações e dinamiza a economia local, com repercussão sobre a auto-estima tanto de fornecedores quanto de consumidores”, disse.
A última palestra do dia foi apresentada por Porfírio de Almeida, do Banco do Nordeste, que falou sobre o tema “Agricultura familiar: novas estratégias de financiamento”. Porfírio apresentou importantes dados sobre a agricultura familiar, que responde por 88,3% dos estabelecimentos nordestinos, 49,7% do total de estabelecimentos do Brasil e 82,9% da ocupação da mão-de-obra no campo, sendo ainda responsável pela produção dos principais alimentos consumidos no Brasil, como mandioca, feijão, leite e milho. Neste contexto, o Banco do Nordeste exerce um trabalho de desenvolvimento da atividade na região via acesso ao crédito, entre eles o Agro Amigo, voltado a agricultores de baixa renda.
8/10/2008 - 14h40

Palestras abordam meios de combate à fome
Especialistas debateram eficácia dos prgramas de transferência de renda
A palestra “Cenário da pobreza e da fome” abriu os trabalhos do Seminário Nacional Mesa Brasil SESC – Segurança Alimentar e Nutricional: Desafios e Estratégias, nesta quarta-feira. Os conferencistas Ricardo Paes de Barros, do IPEA, e Carlos Monteiro, da USP, apresentaram aos participantes a questão: “Podemos acabar com a fome no Brasil através da transferência de renda?” A pergunta serviu de complemento às demais palestras da parte da manhã, que abordaram os programas de transferência de renda também em diversos outros países.
Paes de Barros e Carlos Monteiro lançaram a idéia de que a fome no Brasil hoje não é tão grande, fruto de programas de rede de solidariedade, como o Mesa Brasil SESC, que auxiliam no combate à insegurança alimentar.
Nas palestras que se seguiram, a idéia voltou a ser debatida. No tema “Dimensão nutricional do Bolsa Família”, o palestrante Eduardo Rio Neto, da Cedeplar, afirmou, baseado em diversas pesquisas, que o programa do governo tem aumentado a segurança alimentar pela sua característica de focalizar diretamente um público necessitado.
Pedro Olinto, do Banco Mundial, que abordou o tema “Experiência internacional na avaliação de programas de transferência de renda e desnutrição”, concluiu ser necessário pensar se vale a pena no Brasil tentar eliminar a fome residual através da transferência de renda. “É importante avaliar outros programas que têm sido desenvolvidos, como os do SESC, e qual seu impacto no combate ao problema da fome”, disse.
Walter Belik, da Unicamp, apresentou o tema “Há uma crise de segurança alimentar no Brasil?”. O palestrante afirmou que “programas de combate à pobreza devem ser complementados por programas específicos e locais de promoção de segurança de segurança alimentar, entre eles o Banco de Alimentos”, concluiu.
8/10/2008 - 12h

Mesa Brasil SESC recebe certificação do Fome Zero
ComeÇou na manhà de hoje o SeminÁrio Mesa Brasil SESC com pÚblico de mais de 350 pessoas
O Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo e do Conselho Nacional do SESC, Antonio Oliveira Santos, recebeu nesta quarta-feira, durante a abertura do Seminário Mesa Brasil SESC – Segurança Alimentar e Nutricional: Desafios e Estratégias, a Certificação Especial de Parceiro do Programa Fome Zero, entregue pela Secretária Executiva do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Arlete Sampaio, que representou o Ministro Patrus Ananias no evento. A Certificação vem a oficializar o trabalho que o programa Mesa Brasil SESC realiza desde 2003 em todo o Brasil no campo da segurança alimentar e nutricional.
“São através de programas como o Mesa Brasil SESC que se constitui essa rede de solidariedade, primordial na eliminação deste mal que ainda existe, que é o desperdício”, disse a Secretária.
O Seminário Mesa Brasil SESC – Segurança Alimentar e Nutricional está sendo realizado no auditório da CNC em Brasília, nesta quarta e quinta-feira. O evento tem como objetivo debater a questão da crise de alimentos, problema que está em pauta no mundo inteiro. Para tanto, foram convidados especialistas e pesquisadores da área de segurança alimentar e nutricional, que apresentarão temas como “O cenário da pobreza e da fome”, “A oferta de alimentos e o comércio internacional” e “A dimensão nutricional do Bolsa Família”, entre outros assuntos.
Durante a abertura, Antonio Oliveira Santos apresentou aos cerca de 350 participantes os números do Mesa Brasil SESC. “Em 2003 recebi o presidente Lula para lançar o Mesa Brasil SESC. Na época, nossa previsão era arrecadar quatro milhões de quilos de alimentos, ter 1.100 empresas doadoras e 1.200 entidades assistidas. Hoje são 32 milhões de quilos por ano, 1 milhão de pessoas atendidas por dia, 5.100 entidades assistidas, 3.100 empresas parceiras”, disse.
“O verdadeiro salto de qualidade do Mesa Brasil foi alcançado pelo envolvimento direto das unidades regionais do SESC, que se empenharam no auxílio e na criação de novas modalidades”, disse Antonio Oliveira Santos, que também agradeceu aos parceiros do programa, em especial ä Conab. “Nosso agradecimento em nome da sociedade que é atendida. Vocês têm sido um dos parceiros mais importantes do Mesa Brasil”.
Participaram da mesa de abertura do seminário, além do Presidente da CNC e da Secretária Executiva do MDS, o Presidente do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria, Jair Meneghelli, o Presidente da Federação do Comércio do Distrito Federal, Senador Adelmir Santana, o Vice-presidente da CNC, Gil Siuffo, e o Diretor-geral do Departamento Nacional do SESC, Maron Emile Abi-Abib.